Gostava de escrever uma bela crítica a este livro, mas a verdade é que ele não deixa grande margem para críticas e divagações. O melhor é mesmo lê-lo! :)
A para aguçar o apetite aqui deixo dois excertos pequeninos. Não são as partes mais bonitas do livro, nem as mais cómicas, são excertos aleatórios (Randomness, yay!! :D ).
Mas, na verdade, será o peso atroz e a leveza bela?
O fardo mais pesado esmaga-nos, verga-nos, comprime-nos contra o solo. Mas, na poesia amorosa de todos os séculos, a mulher sempre desejou receber o fardo do corpo masculino. Portanto, o fardo mais pesado é também, ao mesmo tempo, a imagem do momento mais intenso da realização de uma vida. Quanto mais pesado for o fardo, mais próxima da terra se encontra a nossa vida e mais real e verdadeira é.
Em contrapartida, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, fá-lo voar, afastar-se da terra, do ser terrestre, torna-o semi-real e os seus movimentos tão livres quanto insignificantes.
Que escolher, então? O peso ou a leveza?
…
«Nunca me hão-de obrigar a entrar num automóvel! Terei sempre medo de ter um desastre! Mesmo quando não se morre, fica-se traumatizado para a vida inteira!», dizia o escultor, agarrando maquinalmente no indicador que quase serrara a esculpir madeira. Só por milagre é que os médicos tinham conseguido salvar-lhe o dedo.
«Mas de maneira nenhuma!, proclamou uma Marie-Claude em excelente forma. Quando eu tive o meu desastre foi magnífico! Como não conseguia pregar olho, lia ininterruptamente, de dia e de noite!»
A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera





25 25UTC Agosto 25UTC 2007 ás 11:09 PM |
Que escolher, então? O peso ou a leveza? Magnificamente escrito. A história passa-se durante a Primavera de Praga e narra a história de quatro personagens: Tomas, um médico que vê-se forçado a abandonar o seu posto para limpar vidros e cuja volúpia se associa delével à necessidade de descoberta dos corpos femininos e das suas particularidades; Tereza, que se olha ao espelho tentando vislumbrar a sua alma, cuja união com Tomas a arrasta do peso para a leveza e da leveza para o peso; Sabrina, que tem o ímpeto de trair, trair e nunca parar de trair e cuja leveza se tornará no maior peso e, por último, Frank que morre por uma causa que nem lhe interessava muito…mas que ouviu a voz de Sabrina ecoar-lhe na mente e que tem as suas peripécias com a estudantezita dos óculos redondos e Marie-Claude…
A ideia de peso e leveza é uma ideia antiga, do grego Parménides. Leveza é associada ao positivo enquanto que o peso é associado ao negativo. Também a ideia do eterno retorno de Nietchze está presente na obra, quando o autor retrata a guerra. Aliás, há uma história brilhante sobre o filho de Estaline, enviado para um campo de concentração onde não limpava as latrinas depois de evacuar, em que o autor disserta sobre a guerra e…a merda.
Enfim, um clássico imperdível.
Já tive a ver a lista de livros a ler e permite-me sugerir o autor turco Orhan Pamuk com ‘Os Jardins da Memória’ (espero ansiosamente que ‘O Meu Nome é Vermelho’ saia em Portugal) e o psicólogo Daniel Coleman sobre a inteligência emocional.
31 31UTC Agosto 31UTC 2007 ás 5:25 PM |
Muito obrigada pela sugestão e também pela crítica ao livro que não cheguei a fazer no post!:)